28.2.12

Nada é igual.

Estás aí? Preciso de desabafar, preciso de ti.
Não páro de pensar na falta que nos fazes e no que podíamos ter feito por ti se tivéssemos um pouco mais de noção daquilo por que passávamos.
Agora sei que devo seguir sempre os meus instintos. Devia ter ido ter contigo todas as vezes que tive vontade de o fazer. Devia ter-te feito todas as perguntas que, na minha cabeça, tinha para te fazer. Perguntas essas que nunca irão ter resposta, ou não a mesma resposta que tu me darias.
Eu não quero chorar, e até acho que tenho aguentado bem, mas custa-me ver toda esta dor à minha volta, aumentando a minha própria dor.
Sabes, até me custa voltar a casa; quando saio, distraio-me e sinto-me bem, dentro do possível. Tudo graças ao Bruno e ao que ele me faz sentir; sabes que ele é bom rapaz e que gosta muito de mim. Mas custa-me voltar a casa, ter lá a avó e o Bernardo e não te ter a ti. Custa-me ver aquele colchão, onde, ultimamente, durmo eu e o Bernardo, e saber o motivo para as coisas terem de ser assim há já quase um mês. Um mês que cada vez mais me parece uma eternidade.
Também me custa não ter o meu espaço e o meu tempo porque, até isso voltar a acontecer, eu nunca vou poder chorar a tua perda e expulsar toda a revolta e tristeza que tenho dentro de mim por já não te ter comigo e por te ter tomado como garantido durante toda a minha vida, como se fosses eterno.
Custa-me e estou a ficar cansada de conter. E isso faz-me ficar ainda mais amargurada e frustrada.
Há noites em que só queria acordar a ver que nada disto é real. Mas quando penso que nada posso fazer, tudo fica mais difícil. É como se a realidade me desse uma estalada.
Quero acordar e pensar que estás melhor agora, sem sofrer, como aconteceu durante quase toda a tua vida. Quero pensar que todos os teus sacrifícios valeram-te um lugar brilhante no céu, onde estarás a olhar por todos nós.
Quero acordar e só me lembrar das (muitas) memórias boas que temos juntos, sem sentir dor e raiva.
Queria ter-te aqui connosco, sem isso ser um sonho. Infelizmente, só damos valor às coisas depois de as perdermos. Lamento nunca ter-te dito o quanto gosto de ti. Lamento nunca to ter demonstrado da maneira mais adequada. Mas lamento ainda mais ter-te perdido assim, como se tivesses sido arrancado à força da minha vida.
E, agora, o meu coração ficou um pouco mais negro e a minha alma ficou um pouco mais fria. Simplesmente porque nada irá florescer no teu lugar. Nunca. Porque tu és tu. Sempre serás.

2 comentários:

nicolemorais disse...

estas palavras são grandes, gigantes! porque são ditas por ti e, ainda que não vejas, estás a expulsar, aqui, a tua dor. estás a mostrar o quanto isto te perturba e o quanto te tem sido difícil de lidar. já pensei em ir buscar-te, nem que fosse para estares meia hora a chorar abraçada a mim. provavelmente sentirias necessidade disso se te desse o meu ombro. o ombro de melhor amiga. eu estou aqui, sempre, sempre, e nem que seja para apenas chorares, eu estarei. e o teu Avô também está, meu amor, a dar-te força, a mostrar-te como deves viver.<3

nicolemorais disse...

obrigada por tudo, meu amor. amo-te<3