24.7.10

Um dia, o horizonte será o nosso limite.

Estava a pensar, com a luz alaranjada do pôr-do-sol a entrar pela minha janela.
Pensava como seria se não te tivesse; como seria se me sentisse só, vazia e fria por dentro.
Nesse momento, desejei poder ficar a observar aquele pôr-do-sol, da minha janela, a sentir a leve brisa de um dia de verão quase acabado.
E senti-me como uma estranha na minha própria cidade, na minha própria rua, na minha própria casa, no meu próprio mundo. Deu-me uma enorme vontade de parar o tempo, de perpetuar aquele pôr-do-sol, e de voar; voar em direcção ao teu encontro. Mas, claro, no sentido figurado. No sentido real, apeteceu-me enfiar-me dentro do carro e guiar até aí. Como se eu não soubesse que isso é impossível.
Sempre me senti confortável na tua presença. Faz-me sentir segura, forte, imparável. Faz-me sentir bem. E este pôr-do-sol trouxe-me pensamentos que me fizeram sentir a tua falta.
Porque amizades verdadeiras são exactamente como este pôr-do-sol: aquecem a alma, mergulham-nos em pensamentos, memórias, e fazem-nos sorrir.
Continuo a observar. Observo a rua. Está quase deserta; apenas vejo duas pessoas, em sentidos contrários, seguindo a sua vida. E, nesse momento, desejei que chovesse. Apetecia-me sair e sentir a chuva a cair no meu rosto e a deslizar pela minha pele.
A vida é tão simples. Basta querermos, basta descomplicarmos. Basta olhar para lá do aspecto material, para lá das aparências, e chegar à raiz das coisas; basta ver o lado simples e belo de cada uma. E, para isso, basta querer.
E eu quero. Quero tanto que cada vez que momentos destes se sucedem, eu sinto a minha mente a vaguear por todos os sítios que gostava de visitar, por todas as coisas que gostava de ver, por tudo o que gostava de descobrir.
Um arrepio. O vento sopra agora mais frio e já só se vislumbra uma fina e ténue linha de luz. Lá em cima, já vejo a Lua e as estrelas. Já é de noite e eu voltei a perder-me nas minhas ideias.
Tudo só para te dizer como é quando não me sinto vazia e fria. Porque, apesar de estar neste quarto, sozinha, eu sei que tenho sempre o nosso sentimento a acalorar-me o peito, mesmo sem notar.
E sei que um dia vou reparar noutro bonito pôr-do-sol, vou buscar os óculos de sol, pegar nas chaves, e sair em direcção ao carro. E aí vou reparar que está a chover e vou sentir a chuva a deambular pelo meu corpo. Vou sentar-me no carro, ligá-lo e seguir para tua casa. Irás ver comigo o pôr-do-sol e o início da noite; irás saudar a Lua comigo.
Iremos fazê-lo durante muito tempo e sempre que possível. Porque os sentimentos verdadeiros são eternos mas precisam de "manutenção". E eu não o vou tornar num sentimento frio.
Irmã, um dia, o horizonte será o nosso limite *

1 comentário:

nicolemorais disse...

Nem sei que dizer. Estive uma tarde inteira à procura de palavras suficientes para estarem à altura deste texto.
Quase uma semana à espera de o ler, e mesmo assim, surpreendi-me mais do que julgava vir a surpreender.
Está lindo, está perfeito...
Realmente, a nossa amizade é para manter, para ser conservada com muito calor , muito amor, muito carinho. Irá ser conservada como se fosse a nossa própria vida, e sei que o posso dizer assim.
A tua presença é a minha felicidade garantida. E quando não estás... É como se toda a alegria que me preenchesse, se apagasse e nunca mais voltasse para mim.
Por isso, eu quero que estejas sempre comigo, independentemente das situações.
És minha irmã, e quero-te sempre comigo.
E, um dia, seremos só nós. Viajando pelo carro, observando o pôr-do-sol a partir de uma falésia, ou sentadas à beira-mar; não importa. O que interessa e o que sempre interessou, de verdade, é o facto de seres tu a estar comigo. Para mim, isso chega!
Amo-te daqui até ao fim do mundo, e sei que este sentimento nunca vai acabar!